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Bosch em Portugal

Bosch impulsiona a próxima geração de robôs humanoides equipados com sensores inteligentes

Assim estão os novos robôs a aprender a ver com os seus olhos e a sentir com as suas mãos

Bosch impulsiona a próxima geração de robôs humanoides equipados com sensores inteligentes
  • Os robôs começam a percecionar e a adaptar-se em tempo real graças aos sensores MEMS, dez vezes mais pequenos do que a pata de uma formiga.
  • A automatização entra numa nova fase impulsionada pela inteligência artificial e pela escassez de mão de obra.
  • A Bosch pretende tornar-se o fornecedor do «cérebro e do sistema nervoso» dos robôs: sensores, software, inteligência artificial e plataformas abertas.

Berlim, Alemanha – Durante décadas, os robôs foram sinónimo de precisão e repetição: máquinas concebidas para executar a mesma tarefa milhares de vezes em ambientes controlados. Hoje, esse modelo começa a ficar para trás. A robótica entra numa nova fase em que as máquinas já não se limitam a executar ordens, mas também percecionam, interpretam, aprendem e adaptam-se ao ambiente, aproximando-se — não na forma, mas nas capacidades — da maneira como as pessoas interagem com o mundo.

O objetivo é claro: dotar os robôs de sentidos. Que sejam capazes de tocar, ver, orientar-se e aprender com uma sensibilidade que, até agora, era exclusiva do ser humano. Esta mudança vai além da tecnologia. Responde também a uma transformação estrutural. A baixa natalidade e o envelhecimento da população estão a reduzir a força de trabalho nas economias desenvolvidas, gerando escassez de mão de obra ao mesmo tempo que aumenta a procura de serviços, especialmente em áreas como a saúde e os cuidados.

Com menos trabalhadores disponíveis, a equação é simples: a única forma de sustentar o crescimento económico é aumentar a produtividade, o que está a acelerar a adoção de soluções automatizadas. A este contexto junta-se o avanço da inteligência artificial. Durante anos, automatizar significava programar cada movimento. Hoje, a abordagem é diferente. Já não se trata de dizer a uma máquina o que fazer, mas de a ensinar a decidir como o fazer. É neste contexto que a robótica vive um ponto de viragem.

Sensores, tato e visão: como um robô aprende a manipular o mundo com precisão

No centro desta evolução estão os sensores. Em particular, os sensores MEMS (microeletromecânicos), que funcionam como o sistema nervoso dos robôs modernos. Estes dispositivos - alguns com estruturas de apenas 4 micrómetros, dez vezes mais pequenas do que a pata de uma formiga - permitem medir, em tempo real, variáveis como o movimento, a orientação, a pressão ou as vibrações. Graças a este fluxo constante de informação, os robôs não se limitam a executar ordens; percecionam o ambiente que os rodeia, interpretam-no e atuam em conformidade. A Bosch é um dos principais intervenientes nesta área, produzindo milhares de milhões destes sensores para veículos, dispositivos eletrónicos e sistemas industriais, tecnologia que está agora a ser aplicada também à robótica para lhe conferir novas capacidades.

Um dos avanços mais significativos é o desenvolvimento do sentido do tato. Isto permite aos robôs realizar tarefas extremamente delicadas, como segurar um copo de cristal ou pegar num ovo sem o partir. Para uma pessoa, trata-se de um gesto automático. Para um robô, é uma cadeia complexa de decisões. Primeiro, tem de identificar o objeto através da visão artificial, reconhecer a sua forma e localizá-lo no espaço. Em seguida, os algoritmos interpretam a cena e deduzem algo essencial: que se trata de um objeto frágil. A partir daí, entra em ação uma combinação sofisticada de mecânica e sensores. Sistemas baseados em sensores de pressão e unidades de medição inercial permitem detetar quanta força está a ser aplicada, como esta se distribui pela superfície e se o objeto começa a escorregar. Tudo é ajustado em tempo real. O resultado é um movimento preciso, dinâmico e adaptativo. Não se trata de uma cópia da mão humana, mas reproduz os seus princípios fundamentais: percecionar, decidir e agir de forma coordenada.

A visão constitui o outro grande pilar. Os robôs integram câmaras colocadas em pontos estratégicos, permitindo-lhes reconhecer objetos e interagir com o ambiente. Contudo, ao contrário de uma câmara estática, o robô encontra-se em constante movimento. Para evitar imagens desfocadas, utiliza sensores que estabilizam a visão em tempo real, garantindo uma perceção precisa mesmo em situações dinâmicas. A isto junta-se a sua capacidade de orientação. Tecnologias como o LiDAR, as câmaras 3D ou os sistemas de mapeamento permitem aos robôs construir representações tridimensionais do ambiente, deslocar-se de forma autónoma e manter o equilíbrio em superfícies irregulares.

Do ambiente industrial ao quotidiano: o desafio de levar a robótica ao mundo real

A inteligência artificial está a dar um passo além: está a começar a sair do ecrã para interagir com o mundo físico. Tradicionalmente, os sistemas aprendiam a partir de dados digitais. Hoje, a nova geração de robôs aprende manipulando objetos, experimentando e corrigindo erros. Trata-se de um modelo de aprendizagem mais próximo do humano, baseado na experiência.

Estas capacidades já estão plenamente implementadas em ambientes industriais e logísticos, onde os robôs operam em condições controladas e acrescentam valor em tarefas repetitivas ou exigentes. O passo seguinte é muito mais complexo: levar estes sistemas para o mundo real. As casas, as cidades e os ambientes abertos introduzem uma variabilidade constante que multiplica a dificuldade. Tarefas aparentemente simples - como pegar num copo ou apanhar um objeto - transformam-se em desafios tecnológicos. Por isso, a adoção será gradual: primeiro na indústria, depois em ambientes semiestruturados e, por fim, no quotidiano. Neste contexto, a Bosch posicionou-se como um interveniente de referência. A empresa não procura fabricar robôs completos, mas sim tornar-se o fornecedor do «cérebro e do sistema nervoso» que os torna possíveis. A sua aposta combina sensores, software, inteligência artificial e plataformas abertas que permitem desenvolver soluções flexíveis, modulares e escaláveis.

O impulso da robótica não é apenas tecnológico, mas também económico. A crescente procura por automação, aliada à escassez de mão de obra, está a acelerar a sua adoção. Segundo estimativas do setor, o mercado dos sensores MEMS ultrapassará os 16,5 mil milhões de euros em 2030, registando um crescimento sustentado nos próximos anos. Este avanço reabre também o debate em torno do emprego. No entanto, o contexto atual introduz uma variável fundamental: em muitos setores, o problema não é a substituição, mas a falta de trabalhadores. Nesse cenário, os robôs não substituem, mas complementam. Segundo a empresa, assumirão tarefas repetitivas, perigosas ou fisicamente exigentes, enquanto as pessoas continuarão focadas em funções em que o valor humano é diferenciador: as dimensões social, criativa e técnica.

A robótica está a deixar de ser apenas automação para se transformar em algo diferente: inteligência com presença física. Sistemas que não se limitam a executar tarefas, mas que percecionam, aprendem e atuam no mundo real. Não se trata de uma cópia do ser humano. Trata-se de uma nova geração de ferramentas e, com ela, de uma nova forma de compreender a relação entre as pessoas e a tecnologia.

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