Bosch Tech Compass: 70% considera a IA a tecnologia mais influente
Estudo da Bosch sobre impacto do desenvolvimento tecnológico
- A maioria admite que gostaria de “carregar na pausa” do desenvolvimento tecnológico.
- Os inquiridos afirmam que a IA é a tecnologia com o maior impacto positivo e o maior impacto negativo.
- Stefan Hartung: “Na Alemanha, precisamos aumentar a aceitação das inovações pela sociedade.”
- Tanja Rueckert: “Estamos a assistir a um número crescente e rápido de soluções inovadoras de IA em todo o mundo.”
Estugarda, Alemanha – O mundo está pronto para a era da inteligência artificial (IA). Este é o consenso entre mais de 11 mil pessoas inquiridas em todo o mundo para o Bosch Tech Compass deste ano. Nunca os participantes tinham visto a IA de forma tão positiva como na sondagem deste ano: a maioria acredita que a IA será a tecnologia mais influente nos próximos anos e, de entre todas as tecnologias, terá o maior impacto positivo na sociedade. Mais de metade de todos os inquiridos a nível mundial sente-se preparada para as mudanças trazidas pela IA. Ainda assim, existem também sinais de uma certa “fadiga de progresso”: 57% gostariam de um botão de pausa e desejam abrandar o desenvolvimento tecnológico até que se consiga compreender melhor os seus efeitos.
Os alemães têm as maiores expectativas em relação à IA
Na Alemanha, as expectativas em relação à IA são particularmente elevadas: 77% consideram a IA como a tecnologia mais influente dos próximos dez anos. No entanto, tal como em anos anteriores, o ceticismo em relação ao progresso tecnológico também é relativamente elevado entre os inquiridos alemães. Apenas 59% acreditam que a tecnologia tornará o mundo um lugar melhor; só a França é mais cética (53%). Entretanto, 71% dos inquiridos a nível mundial são otimistas em relação à tecnologia. Este otimismo é especialmente elevado na China, com 87%, enquanto em França se mantém muito mais contido, com 53%, refletindo um nível consistentemente mais elevado de ceticismo. Na Alemanha, apenas 40% sentem-se atualmente preparados para a era da IA – o valor mais baixo entre todos os países e ao mesmo nível do ano passado.
De onde vem este ceticismo em relação à tecnologia na Alemanha? Dois resultados adicionais podem fornecer uma resposta: apenas 30% dos inquiridos afirmam que o sistema educativo os incentivou a desenvolver pensamento inovador, e apenas 23% consideram que a regulamentação do país promove com sucesso a inovação – colocando a Alemanha no fundo do ranking em ambos os aspetos.
“Os resultados do Bosch Tech Compass indicam que, na Alemanha, precisamos aumentar a aceitação das inovações pela sociedade,” afirma Stefan Hartung, presidente do conselho de administração da Robert Bosch GmbH. “No entanto, para levar as inovações do laboratório de investigação para a prática, o quadro de políticas de inovação também deve ser adequado. Isto inclui medidas como benefícios fiscais para investimentos em tecnologias inovadoras, mais agilidade e menos burocracia. No geral, gostaria que, enquanto sociedade, tivéssemos mais coragem para assumir riscos. E se algo não resultar, não devemos encará-lo como um fracasso, mas como parte do processo de aprendizagem.
Tanja Rueckert, membro do conselho de administração e CDO da Robert Bosch GmbH, afirma: “estamos a assistir a um número crescente e rápido de soluções inovadoras de IA em todo o mundo, que não poderíamos sequer imaginar há apenas alguns anos. Não é, por isso, surpreendente que o número de pessoas em todo o mundo que consideram a IA como a tecnologia mais influente do nosso futuro tenha disparado de 41% para 70% em apenas três anos.”
Inovações em tecnologias de saúde vistas como prioritárias
De uma forma geral, em todo o mundo, as pessoas estão mais interessadas em inovações em tecnologias relacionadas com a área da saúde. Metade dos inquiridos (50%) afirma que avanços nesta área melhorariam mais significativamente as suas vidas nos próximos cinco anos. Seguem-se as soluções para um estilo de vida sustentável, com 40%, à frente das tecnologias de privacidade e segurança (34%) e das ferramentas para aprendizagem e educação (26%).
Os padrões regionais mostram diferenças claras. Nos países ocidentais, as inovações para um estilo de vida sustentável têm um papel importante -particularmente na Alemanha, onde ocupam o primeiro lugar, com 52%. Nos EUA, ocupam o segundo lugar, com 40%. Em contraste, apenas 28% na China e na Índia priorizam a sustentabilidade neste contexto. Enquanto a tecnologia de saúde lidera na maioria dos países, o valor é comparativamente mais baixo na Índia (38%), onde as pessoas mostram grande interesse em ferramentas de aprendizagem e educação (34%) e assistentes pessoais de IA (32%). Entretanto, a China destaca-se pela forte procura por inovações em automação doméstica (37%), um valor significativamente superior ao de todas as outras nações inquiridas.
59% incentivariam um filho a lançar uma startup
Uma atitude positiva em relação à inovação e ao risco é também uma questão cultural: 59% dos inquiridos a nível mundial incentivariam o seu filho a não ir para a universidade e a criar uma startup caso tivessem uma ideia inovadora, mas apenas 52% dos inquiridos alemães partilham esta coragem de assumir riscos. No entanto, é somente através desta coragem que se criam as soluções do futuro. Quando questionadas sobre as áreas em que a inovação tecnológica deveria incidir, as principais respostas a nível mundial foram: alterações climáticas (37%), acesso à saúde (31%) e cibersegurança (28%).
A IA terá o maior impacto positivo e o maior impacto negativo
A IA não será apenas a tecnologia mais influente dos próximos dez anos, como também terá o maior impacto positivo na sociedade – é o que afirmam 43% dos inquiridos a nível mundial. A biotecnologia e a engenharia climática seguem-se a uma distância considerável, com 36% e 32% respetivamente a acreditar que terão um impacto particularmente positivo.
No entanto, os inquiridos também reconhecem um lado negativo: 34% classificam a IA acima de todas as outras tecnologias em termos de efeitos negativos na sociedade. Seguem-se os robôs humanoides e os veículos autónomos.
“Para nós, na Bosch, esta é uma missão clara: a inovação deve andar de mãos dadas com a responsabilidade. Por isso, é especialmente importante que introduzamos regras para uma IA confiável a nível mundial. Ao mesmo tempo, devem ser feitos esforços para evitar que o desenvolvimento e a utilização da IA sejam sufocados por uma regulamentação excessiva,” afirma Rueckert.
Motores da inovação: quais as forças que estão a impulsionar o progresso em todo o mundo?
A nível mundial, as pessoas identificam três forças como os principais motores da inovação: talento altamente qualificado e instituições educativas sólidas (35%), capacidades de investigação robustas (34%) e empresas competitivas (31%). Estes fatores destacam-se claramente em relação a outros — subsídios governamentais (24%) e uma cultura empreendedora (16%) são considerados significativamente menos impactantes.
As diferenças regionais, no entanto, são substanciais: na China, as capacidades de investigação são vistas como o motor de inovação mais importante (48%). Na Índia, pessoas qualificadas e instituições educativas destacam-se como a força principal (37%). Na Alemanha (37%) e nos EUA (41%), são as empresas competitivas que são consideradas o motor mais forte do progresso. No Brasil, a disponibilidade de recursos naturais desempenha um papel mais relevante (32%) do que na maioria dos outros países.
Sobre o estudo:
Para o Bosch Tech Compass, a Gesellschaft für Innovative Marktforschung mbH (GIM) inquiriu mais de 11.000 pessoas com mais de 18 anos em sete países no outono de 2025. Na Alemanha, França e Reino Unido, participaram 1.000 pessoas por país; no Brasil, China, Índia e Estados Unidos, participaram 2.000 pessoas em cada país. A Bosch não foi mencionada como cliente em qualquer momento durante a realização da sondagem.