Bosch define rumo para o futuro depois de um difícil ano financeiro de 2025
Estratégia 2030: Garantir a competitividade e aproveitar oportunidades
- Evolução do negócio em 2025: receitas de vendas estáveis em 91 mil milhões de euros / margem EBIT das operações abaixo das expectativas, cerca de 2%.
- No âmbito da competitividade, o objetivo passa por reduzir a lacuna de custos e reforçar a capacidade de investimento.
- A Estratégia 2030 aposta em inovações e aquisições para criar oportunidades de negócio.
- Na área da mobilidade impulsionada por software, registaram-se encomendas no valor de 10 mil milhões de euros.
- Relativamente à Europa como localização empresarial, o ceticismo tecnológico coloca a prosperidade em risco.
- Stefan Hartung: “A nossa estratégia de longo prazo irá ajudar-nos a superar as realidades económicas e a aproveitar oportunidades.”
- Markus Forschner: “A melhoria da estrutura de custos e da competitividade da Bosch lançará as bases para o nosso sucesso futuro.”
Estugarda, Alemanha – A Bosch, fornecedora de tecnologia e serviços, pode olhar para 2025 como um ano financeiro extremamente desafiante. Segundo dados preliminares, as receitas de vendas registaram um ligeiro aumento em relação ao nível do ano anterior, situando-se em 91 mil milhões de euros (2024: 90,3 mil milhões de euros). Após ajustamento pelos efeitos das taxas de câmbio, as receitas de vendas cresceram 4,2%. A margem EBIT das operações situou-se em 1,9%, abaixo das expectativas (2024: 3,5%). “A realidade económica reflete-se nos nossos resultados – 2025 foi um ano difícil e, por vezes, doloroso para a Bosch”, afirmou Stefan Hartung, presidente do conselho de administração da Robert Bosch GmbH, referindo-se aos dados preliminares do negócio publicados pela empresa. “Num ambiente desfavorável, continuamos a trabalhar de forma sistemática na nossa estratégia de crescimento, que também nos exige reforçar a nossa competitividade. Estamos agora a traçar o nosso rumo para o futuro.” Segundo Hartung, a Bosch planeia continuar a beneficiar da sua presença global, da sua marca forte e da experiência tecnológica. No entanto, a empresa antecipa uma concorrência cada vez mais intensa num contexto económico desfavorável. A Bosch não prevê melhorias significativas em mercados individuais antes de 2027.
As principais razões para o crescimento lento no último exercício financeiro foram o fraco ambiente económico e as condições de mercado cada vez mais desafiantes. O resultado foi negativamente afetado pela falta de margens devido à diminuição das vendas, bem como pelo aumento de tarifas e por provisões consideráveis para ajustes estruturais necessários e as medidas de pessoal associadas. O objetivo desta reestruturação é garantir que a empresa se mantém economicamente sólida, financeiramente independente e segura a longo prazo. Para atingir este objetivo, a Bosch ainda precisa de gerar um crescimento anual de vendas de 6 a 8 por cento, com uma margem de pelo menos 7 por cento. Dadas as atuais circunstâncias, a empresa assume agora que não atingirá a sua margem-alvo de 7 por cento em 2026, mas apenas em 2027, no mínimo.
Competitividade: reduzir a lacuna de custos e reforçar a capacidade de investimento
A Bosch continuou, ao longo do último ano, a prosseguir de forma sistemática a sua Estratégia 2030 de longo prazo. Para além de alcançar a margem-alvo, a estratégia define que a empresa deve estar entre os três principais fornecedores nos seus mercados-chave em todas as regiões do mundo. Tal exige, atualmente, níveis de custos competitivos e capacidades ajustadas à procura, em particular. “Estamos a trabalhar intensamente na redução dos custos de materiais, a utilizar a inteligência artificial de forma ainda mais intensiva para aumentar a nossa produtividade e a ponderar cada investimento com ainda maior rigor do que anteriormente”, afirmou Hartung. “Ainda assim, para garantir a nossa competitividade e capacidade de investimento a longo prazo, precisamos de fazer muito mais no sentido de reduzir os custos com pessoal e simplificar a nossa organização.”
Acima de tudo, a mudança estrutural para a eletromobilidade, bem como a pressão extremamente elevada sobre os preços e a concorrência na indústria automóvel global, estão a resultar, só no setor de negócio da Mobilidade, num défice anual de custos de cerca de 2,5 mil milhões de euros a nível mundial, face à margem-alvo do negócio. Como consequência, a Bosch anunciou no ano passado a necessidade de eliminar cerca de mais 13.000 postos de trabalho. Hartung sublinhou que o conselho de administração está consciente das implicações destas decisões e leva a sério as preocupações dos colaboradores. “Contudo, mesmo uma empresa detida por uma fundação tem de ter em conta a necessidade de assegurar a sua continuidade e não pode ignorar as realidades empresariais.” Acrescentando ainda que a Bosch pretende implementar estas medidas inevitáveis em estreita articulação com os representantes dos trabalhadores e da forma socialmente mais responsável possível, mesmo que isso implique, numa fase inicial, custos elevados.
Estratégia 2030: inovações e aquisições para criar oportunidades de negócio
Apesar do contexto adverso, a Bosch vê grandes oportunidades para uma recuperação do negócio em vários segmentos de mercado. “Partimos do princípio de que o dinamismo do mercado no campo crucial da mobilidade orientada por software será inicialmente contido, mas depois acelerará de forma significativa, sobretudo na próxima década”, explicou Hartung. O software Vehicle Motion Management para o controlo central de travões, direção, grupo motopropulsor e chassis já está a ser muito bem recebido no mercado”, afirmou Hartung. No ano passado, a fornecedora de tecnologia e serviços conseguiu assegurar encomendas de clientes no valor de 10 mil milhões de euros para soluções de condução automatizada, a respetiva tecnologia de sensores e computadores centrais de veículo, e assim afirmar-se na concorrência global.
A integração em curso das áreas recentemente adquiridas no negócio de soluções AVAC (aquecimento, ventilação e ar condicionado) assegura fortes perspetivas de crescimento: a Bosch Home Comfort pretende quase duplicar as suas receitas de vendas para 8 mil milhões de euros a médio prazo e é atualmente um dos maiores fornecedores mundiais no mercado de aquecimento, ventilação e arrefecimento para edifícios residenciais e comerciais ligeiros. A divisão de Ferramentas Elétricas acelerou os seus processos de desenvolvimento de produtos, reduzindo assim o tempo de colocação no mercado, em média, em dois meses.
No âmbito de uma ofensiva de inovação, a divisão de Ferramentas Elétricas planeia lançar cerca de 2.000 novos produtos até 2027. A Bosch está igualmente a expandir de forma sistemática a utilização de inteligência artificial em todas as divisões. Na recente feira de eletrónica CES, nos Estados Unidos, apresentou um computador de alto desempenho com IA integrada, destinado a tornar realidade o cockpit automóvel controlado por inteligência artificial. Até ao final de 2027, a empresa prevê ter investido um total de 2,5 mil milhões de euros em inteligência artificial, que já é utilizada em toda a organização.
Europa como localização empresarial: o ceticismo tecnológico põe a prosperidade em risco
No que diz respeito à competitividade regional, a Bosch acredita que a Europa tem um potencial enorme – desde que os decisores políticos e a sociedade consigam ultrapassar o ceticismo existente face ao progresso tecnológico. Hartung expressou preocupação com os últimos resultados do Bosch Tech Compass, um inquérito que revela como as pessoas nos principais países industrializados percebem as novas tecnologias. Segundo o estudo, menos de dois terços dos alemães acreditam que o progresso tecnológico tem um impacto positivo, e em França os números são ainda mais baixos. “Isto é altamente alarmante”, afirmou Hartung. “A única forma de um país ou de uma sociedade sobreviver na competição global é se houver pelo menos vontade suficiente para promover o progresso tecnológico.” Para atingir este objetivo, empresas, sociedade e decisores políticos precisam de envolver-se ativamente com novas áreas tecnológicas, como o hidrogénio e a inteligência artificial, com maior coragem e determinação. Como uma das empresas mais inovadoras do mundo, a Bosch tem aqui um papel a desempenhar. É uma das empresas que mais pedidos de patente apresenta na Europa, tendo registado mais de 2.000 pedidos de patente apenas na área da inteligência artificial desde 2018.
No que se refere a políticas protecionistas, Hartung identifica a necessidade de ação na Europa e apela aos legisladores para a introdução de regras de conteúdo local direcionadas, o que poderia tornar a concorrência atualmente claramente distorcida mais justa.
Evolução do negócio em 2025: a economia global retarda as vendas nos setores
A situação difícil em diversos mercados estratégicos da Bosch teve impacto na evolução das vendas nos setores de negócio. “A Bosch também sentiu claramente os efeitos da fraca economia global em 2025”, afirmou Markus Forschner, membro do conselho de administração e diretor financeiro da Robert Bosch GmbH. “No entanto, apesar das incertezas consideráveis e das barreiras comerciais, conseguimos manter-nos firmes na maioria dos mercados.” No setor de Mobilidade, as receitas de vendas situaram-se em 56 mil milhões de euros, registando um ligeiro aumento anual de 0,3%. Após ajustamento pelos efeitos das taxas de câmbio, isto representa um aumento de 3,1%. O setor de Tecnologia Industrial gerou receitas de vendas de 6,5 mil milhões de euros, um aumento marginal de 0,9% permitiu manter o nível do ano anterior, apesar da situação difícil nos setores de engenharia mecânica e construção. Ajustado pelos efeitos das taxas de câmbio, este valor corresponde a um crescimento de 3,2%. No setor de Bens de Consumo, as receitas de vendas diminuíram 1,9%, para 19,9 mil milhões de euros. No entanto, após ajustamento pelos efeitos das taxas de câmbio, registou-se um aumento de 4%.
A principal razão para esta evolução foi a contínua relutância dos consumidores em gastar. O setor de Energia e Tecnologia de Edifícios gerou receitas de vendas de 8,4 mil milhões de euros. Apesar da atividade de construção moderada, as receitas de vendas aumentaram 12,3% em relação ao ano anterior, ou 15,3% após ajustamento pelos efeitos das taxas de câmbio. A aquisição do negócio de soluções AVAC compensou mais do que a venda do negócio de produtos da divisão de Building Technologies.
Evolução do negócio em 2025: efeitos cambiais significativos nas vendas regionais
As condições desafiantes refletiram-se também na evolução das vendas regionais. “A situação manteve-se tensa em todas as nossas regiões globais”, afirmou Forschner. “O nosso negócio voltou a ser mais fraco na Europa, enquanto as Américas e a região Ásia-Pacífico mostraram sinais mais encorajadores.” Na Europa, as receitas de vendas diminuíram ligeiramente para 44,2 mil milhões de euros, uma queda nominal de 0,6%. Após ajustamento pelos efeitos das taxas de câmbio, isto representa um aumento de 1,5%. Nas Américas, as receitas de vendas aumentaram 3,6%, para 18,5 mil milhões de euros. Ajustadas pelos efeitos das taxas de câmbio, correspondem a um crescimento de 9,2%. Na região Ásia-Pacífico, as vendas atingiram 28,3 mil milhões de euros, um aumento nominal de 1,2% ou de 5,6% após ajustamento cambial.
Evolução do número de colaboradores em 2025: diminuiu 1%
A nível mundial, o Grupo Bosch empregava cerca de 412.400 colaboradores em 31 de dezembro de 2025, menos cerca de 5.400 (aproximadamente 1%) do que no ano anterior. Enquanto a aquisição na área Home Comfort adicionou colaboradores, os cortes de pessoal necessários e a venda da divisão Building Technologies reduziram o efetivo. O número de colaboradores diminuiu mais significativamente na Alemanha, onde o efetivo caiu cerca de 6.500 (pouco menos de 5%), para cerca de 123.100 colaboradores.
Perspetivas para 2026: pressão competitiva e sobre preços continua a aumentar
A Bosch não prevê que a situação se alivie no presente exercício financeiro. Atualmente, a empresa estima que a economia global cresça 2,3% em 2026. “Existem muitos indícios de um ligeiro abrandamento do crescimento económico global”, explicou Forschner. “É provável que a pressão competitiva e também sobre os preços aumente ainda mais, e as tarifas acrescidas terão o seu impacto total pela primeira vez.” A Bosch espera registar progressos significativos com as medidas que implementou no âmbito da sua Estratégia 2030.
“Começaremos a ver efeitos positivos na margem assim que melhorarmos a nossa situação de custos e competitiva”, afirmou Forschner. “Mas, dado o contexto económico fraco e o ambiente desfavorável, só alcançaremos a nossa margem-alvo de 7% em 2027, no mínimo.” Salientou que o trabalho sobre despesas e estruturas é absolutamente essencial para manter a posição da Bosch na concorrência global e para continuar a financiar investimentos antecipados significativos em áreas de futura importância. A Bosch está, assim, a criar uma base importante para o desenvolvimento futuro da empresa.