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Investir em ideias verdes
"Qual é coisa, qual é ela, que é ... verde." Muitos jogos infantis começam com uma simples premissa e, exactamente por isso, transformam-se em qualquer coisa emocionante. 

Um jogo infantil emocionante
Faz algum sentido comparar o processo de constituição de uma empresa com um jogo de crianças. Muitas vezes estes também surgem com uma simples ideia, que se desdobra e ganha forma. E quanto mais jogadores participarem mais emocionante se torna – e isto aplica-se tanto aos jogos infantis como à criação de uma empresa. Sendo assim, qual é a coisa que é verde?

Virtualmente toda a área circundante dos escritórios centrais da Bosch em Schillerhöhe, Estugarda, é verde – praticamente só se vêem árvores, até onde a vista alcança. Muitos dos investigadores da Bosch também são verdes. Cerca de 45% dos investimentos em investigação e desenvolvimento são afectos a produtos que economizam energia e recursos. Estes produtos incluem máquinas de lavar louça verdes, sistemas de aquecimento verdes, células solares verdes. "Mas, Pai, a nossa máquina de lavar louça não é branca?" "Sim, mas é assim..." E é quando o jogo se torna realmente emocionante.

Que mais coisas verdes existem? "Nós temos células solares orgânicas," diz a Heliatek. "E nós temos baterias de iões de lítio," diz a Samsung. "Nós também temos algumas coisas verdes," diz a GreenPeak, "designadamente tecnologia sem fios que capta a sua própria energia." "Mmm," diz a Bosch, "nós também temos algumas dessas coisas. Dêem-nos mais pormenores e talvez possamos trabalhar em parceria para fazer ainda mais coisas verdes." E é nesta altura que se torna também emocionante para as empresas.

Células solares orgânicas
Um grupo de cientistas das Universidades Técnicas de Dresden e Ulm investigou durante vários anos sobre como tornar a energia solar mais acessível. Entretanto, em 2006, chegaram a um ponto em que estavam preparados para criar uma empresa para concretizar a ideia. A Heliatek. Estes investigadores identificaram a oportunidade para se tornarem os primeiros produtores do mundo de células solares orgânicas e para utilizarem esta tecnologia para reduzir consideravelmente o custo das células solares e alargar a gama de aplicações. Moléculas coloridas depositadas por vapor em película plástica convertem a luz solar em electricidade – um processo que exige muito pouco material e sem silício.

Contudo, sem o financiamento inicial de 500 000 euros do Fundo para o Startup de Empresas de Alta Tecnologia e outras duas fases de financiamento de 20 milhões de euros de investidores industriais, não teria sido possível implementar esta tecnologia. Dinheiro bem gasto – aos olhos da Bosch, que não só é membro fundador do Fundo que disponibilizou o financiamento inicial para 230 novas empresas de tecnologia, como também investe na Heliatek desde 2007.

A Heliatek já melhorou a eficiência de conversão das suas células solares orgânicas, para 7,7%, um resultado recorde, e apresenta progressos significativos no sentido do seu objectivo de 10%. O início das operações da primeira linha de produção está previsto para este ano e os primeiros produtos devem chegar ao mercado em 2012.

Baterias para motores eléctricos
Em 2013, a Bosch e a Samsung terão investido cerca de 500 milhões de dólares no desenvolvimento e fabrico da bateria de iões de lítio através da empresa comum SB LiMotive constituída em 2008. No próximo ano, serão produzidas baterias para 20 000 veículos eléctricos silenciosos, prevendo-se o aumento potencial deste número para 180 000 já em 2015. O crescimento da quantidade de baterias produzidas deverá também reduzir o custo do componente mais dispendioso dos veículos eléctricos. Quase todos os fabricantes de automóveis e fornecedores concordam que uma bateria com tecnologia de iões de lítio será o meio de armazenamento de energia do futuro para veículos híbridos e eléctricos. E não só para veículos.
 
Enquanto os automóveis eléctricos ainda têm um caminho a percorrer, as bicicletas eléctricas já estarão disponíveis em 2011. Estas são também alimentadas por uma bateria de iões de lítio. Se se lembrar de voltar a colocar a bateria na sua e-bike após um carregamento de duas horas e meia nunca mais vai ter se se preocupar com subidas íngremes na sua bicicleta. Com apenas algumas pedaladas, o pequeno motor eléctrico arranca.

Seria ainda mais prático se depois a bateria também pudesse ser utilizada pelo (a) berbequim/aparafusadora sem fios da Bosch. E o passeio de bicicleta eléctrica – bem como as viagens em carros eléctricos no futuro – seria ainda mais verde se a electricidade utilizada para carregar a bateria fosse proveniente de fontes renováveis. A divisão de Energia Solar da Bosch teve a mesma ideia e apresentou os seus novos módulos solares de película fina como central de carga para motores eléctricos de e-bikes.

Tecnologia de colheita de energia sem fios
Até há pouco tempo, os sensores de alarmes ou controlos remotos que captavam a energia necessária a partir do ambiente que os rodeava não eram mais do que uma matéria favorita dos investigadores. "Colheita de energia" é o termo utilizado para descrever o processo de utilização de luz, vibrações, pressão ligeira ou convecção de calor para transformar esses pequenos consumos em mini centrais de energia. Esta tecnologia pode ser utilizada em quase todas as aplicações que envolvem electrónica e sensores – desde tecnologia de tráfego e monitorização de condutas a electrónica de consumo e registo de dados ambientais.  

Para Claus Schmidt e Markus Thill, a colheita de energia é uma das áreas de inovação mais fascinantes que existem. Trabalham ambos na Robert Bosch Venture GmbH para acompanhar os recentes arranques de empresas na área das tecnologias verdes.  

Foi assim que tiveram conhecimento da GreenPeak, uma empresa que foi rápida a reconhecer as vantagens consideráveis da colheita de energia – por exemplo, em sistemas com sensores rádio. Uma vez que a GreenPeak conseguiu reduzir ao mínimo as necessidades de energia dos seus componentes electrónicos, é possível substituir as ligações por cabos por controlo de rádio. A electrónica é tão simples que pode ser alimentada a partir de quantidades de energia muito pequenas captadas a partir das mini centrais de energia. Esta tecnologia reduz os custos e vai permitir um funcionamento no futuro sem baterias. Foi o suficiente para conquistar Claus Schmidt e Markus Thill. Desde então a Bosch tem investido na GreenPeak. Afinal, a Bosch sabe que não compensa investir em investigação só nas nossas próprias ideias verdes.

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